De Floripa a Santos

6 05 2008

4:30h eu levantei. Nos arrumamos e esperamos o Seu Bira. Ele chegou aqui por volta das 5:15h, mas dava tempo tranqüilamente.

Ao chegar no aeroporto, só tinha fila nos guichês da TAM, que logicamente era a empresa que iríamos. Depois de descobrirmos que estávamos na fila errada, fizemos o check in, sem problemas.

Faltava muito tempo pro vôo, ainda.

Subimos para tomar um café da manhã. Grande erro!

Eu que estava há muito tempo sem comer doces tomei um Capuccino com um mega creme, super doce, em cima. Meu avô comeu um monte, também.

Minha mãe, super parceira, nos acompanhou até a ultima chamada do vôo.

  • Vôo 3100 TAM, com destino Congonhas, embarque no Portão 5. ÚLTIMA CHAMADA!

Éramos nós. Nos despedimos da mãe e fomos rumo ao desconhecido.

Entramos na sala de embarque pela primeira vez na vida e, logicamente, não sabíamos onde estava o portão 5. O que fazer? Procurar! Já dizia o poeta “quem tem boca vai a Roma”. Neste caso, vai a Congonhas!

Achamos o portão e ficamos em frente a ele. Loucos, obviamente. Se era a primeira vez, que deixasse as pessoas passarem na frente.

Bem, isto foi o de menos. Abriu o portão, nós saímos, era lógico.

Fomos em direção ao avião, dando “tchauzinho” para a mãe, como todo pobre que pega um avião pela primeira vez.

Ao entrar no avião, procuramos os assentos. Eu fiquei na janela e o vô do lado.

A pergunta demorou, mas veio: “pode fumar aqui dentro?”. E eu acho que ele ainda queria uma resposta.

Tirei várias fotos. O dia estava amanhecendo, o tempo, pelo menos aqui, estava aparentemente lindo – aqui de baixo. Lá de cima, muitas nuvens branquinhas, mas um sol lindo.

Eu sempre imaginei viajar de avião. Era exatamente como eu imaginava. Esperamos alguns aviões posarem e outros decolarem.

 

A decolagem era estranha, mas igual. A sensação da subida era legal, até. Lá do alto, tentei avistar minha casa, já que é um vai e vem de aviões o dia inteiro por aqui. Não achei. Mas consegui ver que Floripa, aquele pedacinho de terra no meio do mar, é mesmo lindo até de cima.

 

 

O tempo começou a fechar. São Paulo não estava no clima de Floripa naquele dia. O que eu poderia fazer era tentar rezar para que o sol abrisse, mas naquele momento isso já não era mais importante. Eu estava rumo ao meu sonho e ao sonho do meu avô. O clima era o que menos importava naquele momento.

O vôo inteiro eu estava indisposta. Os lanches de avião não foram aproveitados. Da minha parte, porque o vô só queria saber de comer, já que não podia fumar.

No pouso passei mal. Pobre, que não sabe viajar de avião, aprendeu.

Chegamos em Congonhas às 7:20h da manhã. Poderíamos aproveitar mais o dia, certo?

Errado! O primeiro transfer pra Santos, de onde partiria o navio logicamente, era as 11:00h, pelo menos na teoria.

Como eu estava um pouco indisposta ainda, por conseqüência do vôo, fui até a farmácia do aeroporto para comprar algum remédio. Olho para trás na escada rolante e quem eu vejo?

Zeca Camargo. Já diria a minha mãe: “Fotografou? Filmou? Não? Então é mentira tua”. Como eu sou muito espera, não quis ser tiete. Palmas!

Fui à farmácia, comprei o remédio. Até às 11h eu teria tempo para fazer muitas coisas naquele aeroporto. Como ir ao banheiro, ir a farmácia, ir ao banheiro e ir a farmácia. Poderia ir ao banheiro também e se estivesse afim, à farmácia.

Comecei a mandar mensagem para todo mundo que eu conhecia de São Paulo e a partir de um horário liguei para a Dami – uma menina de Santos que estava me ajudando a ir até lá fazer entrevista e eu ajudei a encoraja-la para fazer a entrevista, hoje ela está no MSC Opera e eu estou aqui. E ela quase me bate.

Ligo para ela, eis que olho a minha frente: Rodrigo Santoro. Já diria minha mãe: “Fotografou? Filmou? Não? Então é mentira tua”.

A Dami falava no telefone: “vai lá falar com ele guria”.

Como eu sou muito espera, não quis ser tiete. Palmas!

Depois de ligar pra meio mundo atrás de informações sobre o transfer, surge uma mulher com uma roupinha amarela e uma prancheta na mão, escrito “Costa”. Era com ela que eu deveria falar.

Eram 9h da manhã, ainda tinha muito que boiar naquele aeroporto.

Nada demais. Esperamos até às 11h e claro saímos, às 11:40h.

Problemas nas etiquetas das malas. Obviamente. Marcando a viagem uma semana antes, seria impossível chegarem etiquetas para as malas.

Como não éramos os únicos, malas sem etiquetas para um lado, etiquetadas para o outro.

Começaram a entrar várias famílias naquele ônibus. Crianças, adolescentes, adultos, idosos. Todas as idades com o mesmo objetivo.

A viagem, que me dissera ser de no máximo 40 minutos, se tornou longas 2 horas, aproximadamente.

Eu já não agüentava mais tudo aquilo, mas fazia parte. A Mandy era minha companheira, me deu forças o tempo inteiro por mensagem. “É amiga, acho que ainda está bem longe”, “é amiga, já peguei minha senha, vou entrar”.

O tempo parecia estacionado. Eu nunca odiei tanto uma serra, como odiei naquele dia a Serra de Santos – que numa viagem recente percebi ser uma obra-prima.

Voltas e mais voltas por Santos, o motorista estava perdido! Por mais que fosse a realização de um sonho, o fato de dar voltas e mais voltas depois de passar mal, não estava me agradando.

Agora, eu queria chegar muito rápido àquele lugar.

Meu telefone toca. Era o Flávio, um menino que, por meio de Orkut, eu havia conhecido antes. Ele era de Guararema, São Paulo.

Manuh, onde você está? O navio ta partindo, se você demorar mais 10 minutos, você fica”.

Claro! “Acho que o motorista ta perdido Flá, mas acho que estamos chegando”.

É, estávamos chegando dentro de meia hora, aproximadamente.

Passando pela orla, começamos a ver os navios de carga. Eis que se manifesta uma menina de 7 anos ao meu lado. “Mãe, aquele é o Costa Victoria. Eu quero ir nele”

O navio se resumiria a uma placa flutuante vermelha com vários containeres em cima. A mãe da menina explicou que era navio de carga. Então que começou: “Mãe, eu não quero mais ir no Costa Victoria, eu quero ir dentro das caixas”. “Olha, um navio pirata! Primeiro vamos nas caixas, depois vamos no navio pirata. Aí os piratas cortam a gente em pedacinhos e jogam a gente pros tubarões”.

Se fosse roteirista, ela estava rica! Continuou inventando várias histórias com todos os navios que ela via. E quando viu o que realmente iríamos: “Mãe, não quero ir nesse!”. Era de se espantar.

Então ela começou a escolher quem iria ou não na viagem: “Tu vai! Tu vai! Tu também vai, e tu, e tu, e tu, e tu também. Tu, tu e tu!” “E ele, não vai?” “Ele também vai!”

O que eu não contava era o fato de ela ficar com esse tu, tu, tu, tu até sairmos do ônibus. Mas foi legal, graças a ela comecei a me distrair mais.

 





Começo de uma idéia que se tornou uma viagem…

28 03 2008

“Tudo começou, há um tempo atrás (redundância!), na Ilha do Sol”.

Mais ou menos por aí. Na verdade, o local não importa. Tudo começou por um motivo, uma pessoa… Um sentimento, que seja.

Uma vontade de fazer uma loucura! Eu até botei no perfil do orkut “Vou fazer uma loucura em Março”, mas acho que adiantei um pouco as coisas.

Bom, na verdade tudo começou em Julho de 2007, quando eu descobri que uma pessoa iria trabalhar em cruzeiros. O apavoro se tornou vontade de ir também e, numa loucura, eu comecei a procurar passagens, empresas, preços, companhias, pessoas que já tinham trabalhado com esse mercado, pessoas que queriam ir. Tudo eu pesquisava. Descobria de tudo um pouco. Aos poucos ia conhecendo pessoas também. Santo Orkut!

Foi em comunidades que conheci pessoas de alguns lugares diferentes, mas, também, pessoas daqui. Uma delas, de cara, ganhou meu DVD do Fatboy Slim. Merecia, né? Essa criaturinha, que ganhou o DVD, merecia mesmo! No primeiro dia que a gente se falou, já nos identificamos muito. Com o passar do tempo a amizade foi crescendo demais. Planos de filmes, de guloseimas, de lugares bizarros (né? Hahaha) e o plano de nenhum dos dois ir mais. Mas ele foi, eu fiquei e, comigo, ficou a vontade de entrar de algum jeito naquele mundo. Quem nunca pensou em conhecer um lugar como aquele? Uma cidade flutuante, onde tudo que se quer, se tem. Pessoas de vários lugares do mundo. Culturas diferentes, caras diferentes (mesmo que os indonésios sejam parecidos), tratamentos diferentes e uma energia que só lá eu poderia descobrir como era.

Ele foi embora justamente no feriado de Finados, que eu estava trabalhando na Praia do Rosa, ou seja, a gente já estaria mais tempo do que deveria longe um do outro, sem nos falarmos mais.

Meu professor de Jiu-jitsu uma vez começou a me falar do segredo e de alguma forma ele me fez entender aquilo, sem precisar ler o livro ou o documentário, que, na minha opinião, ambos são insuportáveis.

Comecei a ir a agências de viagens, procurar na internet preços, sites e quaisquer outras coisas que pudessem me alimentar, de alguma maneira, com aquela idéia louca. Sim! Ela era louca. Eu não tinha dinheiro, não tinha condições e com certeza, minha mãe não pagaria uma viagem dessas pra mim em hipótese nenhuma. Mas eu queria!

Ele tinha me explicado que, não importa o quão difícil seja a situação, às vezes você ta quase conseguindo ultrapassar as barreiras pra conseguir teus objetivos, aí você desiste e volta a estaca zero. Se você passa por cima de todos os obstáculos, choros, quaisquer problemas, NÃO DESISTINDO, você vai conseguir!

Esse era o momento de eu saber se O Segredo realmente existia.

Mesmo sem dinheiro, possibilidades, eu queria e era o que eu precisava acreditar.

Primeiramente achar a vaga no navio que eu queria. MSC Armonia, por causa do Erich ou Costa Victoria porque tinha um menino da facul que, obviamente, eu já conhecia. Não estaria tão perdida.

Indo às agências e solicitando estes navios eles diziam: “Ah, temos o Island Escape, que tem assim e assado”. Eu só poderia estar falando grego, né? QUERIA MSC ARMONIA OU O COSTA VICTORIA, ué.

MSC Armonia

Costa Victoria

O Erich tinha me passado o site de uma empresa de turismos de São Paulo que tinha a rota do navio dele e, conseqüentemente, do Costa Victoria também.

Comecei a checar tabelas de preços, rotas, tudo que eu poderia ver. Os dois navios tinham preços equivalentes, rotas um pouco diferentes, mas era quase tudo igual.

Já que os agentes de Floripa não me ajudavam, parti para São Paulo (no msn, logicamente).

Ao falar com o agente de viagens de São Paulo, ele me ofereceu qualquer outro navio, menos os que eu queria. Mas que diabos!

Lembrei que uma menina aqui de Floripa havia me indicado o namorado dela como agente de viagens uma vez. Fui até o MSN pra falar com ele.

Ele prontamente me ofereceu outro navio, lógico.

“Não, não estás entendendo, eu quero ESSES!”. Ele entendeu meu problema e começou a ver.

Em meio a estas pesquisas, Erich me liga da Itália! LINDO! Enfim, 7 minutos mais do que legais no telefone. Ao desligar, sai correndo pra contar tudo pra minha mãe. Com ela estavam minha tia, minha vizinha e meu avô.

Ouvindo tudo aquilo meu avô começou a dizer que era o sonho dele fazer uma viagem como aquelas e coisas do gênero.

Todo mundo começou a incentivar, inclusive eu, claro! Afinal, seria uma grande oportunidade que o segredo tava me dando.

Comecei ainda mais a procurar preços e datas. Queria ir em janeiro, tinha um pacote legal com preços legais também. O problema é que, nós mortais, não temos acesso direto a disponibilidade de vagas na MSC, e na época eu não sabia que na Costa dava. Comecei a ver preço de tudo contando com aquela data. Meu avô começou a se empolgar muito mais com aquela viagem, mas eu não pressionava, só falava quando ele tocava no assunto. E é serio! Eu conhecia o povo do lado de cá, sabia que muita gente ia falar muito. Ao mesmo tempo em que eu queria muito àquilo, não queria ter problemas e dar problemas, a minha mãe, principalmente.

Ele vivia falando daquilo. Ligava pra mim, perguntava, falava, falava, falava. E eu dava força pra ele. Não só por mim. Por ele!

Falei novamente com o namorado da menina, explicando a situação. Ele me deu a noticia ruim: o MSC Armonia já estava esgotado! Só teriam vagas para depois do carnaval. E o Costa Victoria tinha vagas pra antes do natal ou depois do carnaval também. Perguntei o que o “vô” queria e ele preferiu antes do Natal.

“Rafa! Antes do natal o que tens?”.

Conversa vai, conversa vem! Tudo detalhado e explicado. O quarto mais barato, do andar mais fuleiro e o avião mais arcaico.

A viagem seria dia 13 de dezembro. Tudo estava em cima da hora. A única coisa que a gente não tinha era tempo. Correria para comprar roupas e sapatos para o meu avô. Tirar identidades novas, já que a dele era datada de 1963 e a minha estava re-plastificada, não valendo mais.

O prazo de entrega era de 5 dias úteis, pagando taxa extra (que dúvida?). Contando os dias úteis, daria dia 12 de dezembro. Um dia antes do embarque. Estávamos em tempo, ainda.

Um dia inteiro para fazer documentos, ir até a agência, fazer pagamentos, taxas e milhões de coisas. O carro do Marcel caiu do céu na minha mão na semana anterior.

Tudo resolvido o problema apareceu em casa. Meu pai brigou feio com a gente por causa da viagem. Ele não queria que eu a fizesse, pelo mesmo motivo que eu não queria me incomodar antes. Brigas feias, cabeça quente, palavras desnecessárias. Proibição, choro, mas eu só me lembrava do que o Alexandre (meu mestre) tinha me ensinado sobre o segredo. “Por mais difícil que pareça a situação, Manuh, não se deve desistir, porque você pode estar quase lá, só faltando um empurrãozinho. E esse empurrãozinho vai ser a sua força de vontade!”.

No Orkut, como boa nerd que sou, comecei a pesquisar comunidades para fazer amizades. Já que eu estava indo com o meu avô, enquanto ele dormia eu tinha que me divertir com pessoas da minha idade. Achei uma única comunidade com tópicos sobre a viagem que duraria do dia 13 de dezembro ao dia 17. Porém eu e ele ficaríamos até o dia 21 de dezembro. Não achei companhia para a viagem toda, mas ali já nasciam grandes pessoas no meu conhecimento.

Entrei, também no Orkut de tripulantes. Pessoas que estavam trabalhando já no navio. Um deles até chegou a me adicionar, antes de eu embarcar – um italiano da recreação.

Tudo aquilo ia me estimulando mais e mais. Eu ia ficando feliz por achar aquelas pessoas na internet. Umas eu não ia com a cara, outras eu me dei bem de primeira.

Eu poderia chorar, ser negado tudo a mim, mas eu pensava positivo “eu vou nessa viagem!”.

Conversas e mais conversas. Pouco a pouco, tudo foi se acertando, se resolvendo.

Era época de vestibular. Eu faria a prova de domingo a terça-feira, terminaria de resolver tudo na quarta e embarcaria na quinta-feira.

Vestibular feito, tensão, mas eu não poderia estar mais feliz.

Na quarta-feira, descobri que meu vôo para São Paulo não seria às 7:30h da manhã, mas sim as 6:15h. Santo Rafael!

Eu queria mata-lo! Xinguei pra me aliviar um pouco e ele me compreendeu.

Agora era hora de arrumar malas, que um dia antes não estavam prontas ainda. Era hora de decidir o que iria ou não. Quais as cabines que eu teria que visitar lá. Como eu faria tudo sem nunca ter feito nada parecido?

Tudo era novo. Check in no aeroporto, sala de embarque, Congonhas, Transfers, chá de aeroporto. Tudo era muito diferente.

Ainda faltava ligar pro Seu Bira para nos buscar às 5:00h da manhã, por causa do check in.

Após fazer depoimento de despedida pra amiga, terminar de arrumas as coisas, 2:30h da manhã seria um horário bom para dormir, já que às 4:00h teria que estar de pé.








Seguir

Obtenha todo post novo entregue na sua caixa de entrada.