4:30h eu levantei. Nos arrumamos e esperamos o Seu Bira. Ele chegou aqui por volta das 5:15h, mas dava tempo tranqüilamente.
Ao chegar no aeroporto, só tinha fila nos guichês da TAM, que logicamente era a empresa que iríamos. Depois de descobrirmos que estávamos na fila errada, fizemos o check in, sem problemas.
Faltava muito tempo pro vôo, ainda.
Subimos para tomar um café da manhã. Grande erro!
Eu que estava há muito tempo sem comer doces tomei um Capuccino com um mega creme, super doce, em cima. Meu avô comeu um monte, também.
Minha mãe, super parceira, nos acompanhou até a ultima chamada do vôo.
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Vôo 3100 TAM, com destino Congonhas, embarque no Portão 5. ÚLTIMA CHAMADA!
Éramos nós. Nos despedimos da mãe e fomos rumo ao desconhecido.
Entramos na sala de embarque pela primeira vez na vida e, logicamente, não sabíamos onde estava o portão 5. O que fazer? Procurar! Já dizia o poeta “quem tem boca vai a Roma”. Neste caso, vai a Congonhas!
Achamos o portão e ficamos em frente a ele. Loucos, obviamente. Se era a primeira vez, que deixasse as pessoas passarem na frente.
Bem, isto foi o de menos. Abriu o portão, nós saímos, era lógico.
Fomos em direção ao avião, dando “tchauzinho” para a mãe, como todo pobre que pega um avião pela primeira vez.
Ao entrar no avião, procuramos os assentos. Eu fiquei na janela e o vô do lado.
A pergunta demorou, mas veio: “pode fumar aqui dentro?”. E eu acho que ele ainda queria uma resposta.
Tirei várias fotos. O dia estava amanhecendo, o tempo, pelo menos aqui, estava aparentemente lindo – aqui de baixo. Lá de cima, muitas nuvens branquinhas, mas um sol lindo.
Eu sempre imaginei viajar de avião. Era exatamente como eu imaginava. Esperamos alguns aviões posarem e outros decolarem.

A decolagem era estranha, mas igual. A sensação da subida era legal, até. Lá do alto, tentei avistar minha casa, já que é um vai e vem de aviões o dia inteiro por aqui. Não achei. Mas consegui ver que Floripa, aquele pedacinho de terra no meio do mar, é mesmo lindo até de cima.
O tempo começou a fechar. São Paulo não estava no clima de Floripa naquele dia. O que eu poderia fazer era tentar rezar para que o sol abrisse, mas naquele momento isso já não era mais importante. Eu estava rumo ao meu sonho e ao sonho do meu avô. O clima era o que menos importava naquele momento.
O vôo inteiro eu estava indisposta. Os lanches de avião não foram aproveitados. Da minha parte, porque o vô só queria saber de comer, já que não podia fumar.
No pouso passei mal. Pobre, que não sabe viajar de avião, aprendeu.
Chegamos em Congonhas às 7:20h da manhã. Poderíamos aproveitar mais o dia, certo?
Errado! O primeiro transfer pra Santos, de onde partiria o navio logicamente, era as 11:00h, pelo menos na teoria.
Como eu estava um pouco indisposta ainda, por conseqüência do vôo, fui até a farmácia do aeroporto para comprar algum remédio. Olho para trás na escada rolante e quem eu vejo?
Zeca Camargo. Já diria a minha mãe: “Fotografou? Filmou? Não? Então é mentira tua”. Como eu sou muito espera, não quis ser tiete. Palmas!
Fui à farmácia, comprei o remédio. Até às 11h eu teria tempo para fazer muitas coisas naquele aeroporto. Como ir ao banheiro, ir a farmácia, ir ao banheiro e ir a farmácia. Poderia ir ao banheiro também e se estivesse afim, à farmácia.
Comecei a mandar mensagem para todo mundo que eu conhecia de São Paulo e a partir de um horário liguei para a Dami – uma menina de Santos que estava me ajudando a ir até lá fazer entrevista e eu ajudei a encoraja-la para fazer a entrevista, hoje ela está no MSC Opera e eu estou aqui. E ela quase me bate.
Ligo para ela, eis que olho a minha frente: Rodrigo Santoro. Já diria minha mãe: “Fotografou? Filmou? Não? Então é mentira tua”.
A Dami falava no telefone: “vai lá falar com ele guria”.
Como eu sou muito espera, não quis ser tiete. Palmas!
Depois de ligar pra meio mundo atrás de informações sobre o transfer, surge uma mulher com uma roupinha amarela e uma prancheta na mão, escrito “Costa”. Era com ela que eu deveria falar.
Eram 9h da manhã, ainda tinha muito que boiar naquele aeroporto.
Nada demais. Esperamos até às 11h e claro saímos, às 11:40h.
Problemas nas etiquetas das malas. Obviamente. Marcando a viagem uma semana antes, seria impossível chegarem etiquetas para as malas.
Como não éramos os únicos, malas sem etiquetas para um lado, etiquetadas para o outro.
Começaram a entrar várias famílias naquele ônibus. Crianças, adolescentes, adultos, idosos. Todas as idades com o mesmo objetivo.
A viagem, que me dissera ser de no máximo 40 minutos, se tornou longas 2 horas, aproximadamente.
Eu já não agüentava mais tudo aquilo, mas fazia parte. A Mandy era minha companheira, me deu forças o tempo inteiro por mensagem. “É amiga, acho que ainda está bem longe”, “é amiga, já peguei minha senha, vou entrar”.
O tempo parecia estacionado. Eu nunca odiei tanto uma serra, como odiei naquele dia a Serra de Santos – que numa viagem recente percebi ser uma obra-prima.
Voltas e mais voltas por Santos, o motorista estava perdido! Por mais que fosse a realização de um sonho, o fato de dar voltas e mais voltas depois de passar mal, não estava me agradando.
Agora, eu queria chegar muito rápido àquele lugar.
Meu telefone toca. Era o Flávio, um menino que, por meio de Orkut, eu havia conhecido antes. Ele era de Guararema, São Paulo.
“Manuh, onde você está? O navio ta partindo, se você demorar mais 10 minutos, você fica”.
Claro! “Acho que o motorista ta perdido Flá, mas acho que estamos chegando”.
É, estávamos chegando dentro de meia hora, aproximadamente.
Passando pela orla, começamos a ver os navios de carga. Eis que se manifesta uma menina de 7 anos ao meu lado. “Mãe, aquele é o Costa Victoria. Eu quero ir nele”
O navio se resumiria a uma placa flutuante vermelha com vários containeres em cima. A mãe da menina explicou que era navio de carga. Então que começou: “Mãe, eu não quero mais ir no Costa Victoria, eu quero ir dentro das caixas”. “Olha, um navio pirata! Primeiro vamos nas caixas, depois vamos no navio pirata. Aí os piratas cortam a gente em pedacinhos e jogam a gente pros tubarões”.
Se fosse roteirista, ela estava rica! Continuou inventando várias histórias com todos os navios que ela via. E quando viu o que realmente iríamos: “Mãe, não quero ir nesse!”. Era de se espantar.
Então ela começou a escolher quem iria ou não na viagem: “Tu vai! Tu vai! Tu também vai, e tu, e tu, e tu, e tu também. Tu, tu e tu!” “E ele, não vai?” “Ele também vai!”
O que eu não contava era o fato de ela ficar com esse tu, tu, tu, tu até sairmos do ônibus. Mas foi legal, graças a ela comecei a me distrair mais.






